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RUPES

Exposição individual da artista representada Livia Fontana, na Galeria Mamute, em São Paulo. A mostra reúne pinturas inéditas (2026), em grande formato, nas quais a artista revisita a poética e os gestos da arte rupestre — registro, marcação e inscrição sobre o tempo. Entre camadas de pigmentos, raspagens e veladuras, Lívia oferece um repertório visual que evoca signos primitivos, memórias geológicas e a materialidade da superfície.

"Podemos saudar e receber com alegria a nova individual de Livia Fontana, Rupe, na sede paulistana da Galeria Mamute. A artista radicada em Curitiba estreia em SP exibindo uma produção bastante particular dentro do pictórico, com flertes com a arte conceitual e, ao mesmo tempo, num movimento de esgarçamento e amplidão da linguagem da pintura. Fontana já dá pistas a partir do título de série-chave da mostra. Pareidolia é a tendência do cérebro em criar padrões em coisas aleatórias – como ver as formas de um animal no meio das nuvens. Esse expediente mental certamente pode ser repetido na nossa própria imersão aos volumes, cromatismos, superfícies e formalizações que a artista empreende em cada uma de suas telas, em geral de pastel oleoso sobre linho e com escalas generosas. Já o atributo rupestre tem a ver com a aurora da humanidade num sentido de busca do essencial, liga-se a uma perspectiva sem tantos filtros nem mediações que hoje parecem supervalorizados e onipresentes em nossas vivências marcadas pela hipercirculação. E há a severa construção da temática. Fontana representa apenas cachoeiras. Por mais distintos que os traços, gestos e matéria dispostos nos quadros sejam, a unidade do que é apresentado obras afora impõe uma limitação de escolhas. Tais telas podem provocar leituras em variados campos, como o psicanalítico e o do cânone visual. Afinal, transpor para um chassi regular aquilo que traz um dado de descontrole e não domesticidade é um ato que lida com a nossa racionalidade." Mario Gioia, julho de 2026

 

 

TEXTO CURATORIAL RUPES, por Mário Gioia

 

​​​​CATÁLOGO RUPES

 


Abertura: 01 de agosto de 2026, das 14h às 18h

Período expositivo: de 01 de agosto a 19 de setembro
Local: 
GALERIA MAMUTE

Rua Brigadeiro Galvão, 990São Paulo/SP

Aberto de segunda a sexta, das 11h às 17h

 

MORMAÇO

Exposição coletiva apresentando artistas AndreaLalli, Marina Godoy e Olívia Lacerda. Curadoria de Lola Fabres.


"O conceito surge como uma atmosfera A palavra mormaço nome da exposição que reúne os trabalhos das artistas Andrea Lalli Marina Godoy e
Olívia Lacerda, aparece dando sentido à ideia de um campo de instabilidade uma zona de transição onde matéria, memória e paisagem se
reorganizam sob a pressão discreta do calor conferindo às obras a impressão de uma temperatura em comum
Mais do que um tema em si, essa ambiência repousa sobre o conjunto de trabalhos, fazendo se sentir pela recorrência de uma paleta quente, terrosa
e solar e apresentando se como um regime térmico associado a experiências triviais do cotidiano ao ardor do tempero, ao suor do corpo em balanço,
ao calor da faixa de areia aquecida ou mesmo à umidade da pele que espera ao sol à beira d’água Não à toa, essa condição também interfere na
nitidez das formas, que não se oferecem de maneira imediata Aparecem, sim, rarefeitas, distorcidas, tecidas ou encobertas, deixando entrever, de
modo discreto, uma percepção ambiental marcada pela inquietação de uma temperatura que não cessa de se elevar
Nesse contexto, Andrea Lalli Marina Godoy e Olívia Lacerda mobilizam procedimentos distintos para compor suas paisagens imersas, cada qual, em
seus próprios processos de transformação Em Olívia, a paisagem emerge da própria constituição material da superfície Ao mesclar óleo e pó de
argila, suas pinturas produzem uma sedução tátil vinculada à densidade da textura e aos efeitos de opacidade, fissura e sedimentação Mas se, em um
primeiro plano, essas superfícies sugerem uma matéria arenosa associada a uma memória costeira entre conchas e depósitos sedimentares em
uma camada menos evidente, elas se afastam de qualquer leitura idílica para operar como vestígios de uma matéria em transição, atravessada pelo
calor, pelo tempo e pelo desgaste
Em Marina, essa instabilidade desloca se da matéria para a figura Em suas pinturas, objetos, frutas e fragmentos associados ao espaço doméstico são
submetidos a um processo de distorção que desestabiliza sua identificação imediata Embora remetam ao universo da natureza morta, essas figuras
não se fixam como elementos plenamente reconhecíveis seus contornos parecem ceder, suas formas perdem coesão e suas superfícies assumem uma
organicidade fugidia Nessa oscilação (da familiaridade ao estranhamento), a artista aproxima o doméstico de uma paisagem amorfa, na qual o
alimento, o corpo e a matéria parecem atravessados por um mesmo estado de alteração Já nos trabalhos de Andrea, as vivências ribeirinhas, as
rotinas da pesca, os modos de alimentação e as memórias transmitidas pela oralidade são elaborados em pinturas que sobrepõem acrílica, bordado,
pigmento de terra e materiais têxteis Ao mesmo tempo, ao se aproximar de relatos de pessoas cuja vida cotidiana depende da vinculação com as
águas e seus recursos, seu trabalho também aponta modos de existência diretamente impactados por processos de alteração ambiental
Assim reunidas e em diálogo, as obras em questão não tratam a paisagem somente como representação, mas como um campo de percepção
atravessado por uma temperatura cromática comum Nele, o calor deixa de ser apenas condição sazonal e corriqueira para se apresentar como
experiência sensível, adensada pela consciência de sua progressiva intensificação." Curadora Lola Fabres

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​​​​CATÁLOGO MORMAÇO

Abertura: 23 de maio de 2026. Das 14h às 18h
Período expositivo: 23 de maio a 04 de julho de 2026

​​​Local: GALERIA MAMUTE

Rua Brigadeiro Galvão, 990São Paulo/SP

Aberto de segunda a sexta, das 11h às 17h

MATÉRIA ENCANTADA

Exposição coletiva apresentando artistas das galerias ArteFASAM e MAMUTE. Com curadoria de Giulia França, a mostra discute o conceito da exploração da materialidade e de como o ato de criar é manipulá-la.

Artistas participantes:
Andressa Cantergiani, Anna Paes, Celaine Refosco, Emanuel Monteiro, Erika Dantas, Gabriel Loew, Juliana Hoffmann, Lívia Fontana Lu de PaulaLuciana Petrelli, Luísa Covolan, Sandra Rey, Simone Fontana Reis, Sueli Espicalquis, Wagner Costa, Willian Santos.

 

Uma pedra é apenas uma pedra, não fosse pela agência do artista em retirá la de seu repouso Poderíamos divagar incessantemente sobre as quase infinitas manifestações em que o artista, munido de matéria e desejo, se desdobra sobre o material e este, por sua vez, lhe responde à altura O que é perguntado às tintas, ao feltro, ao tecido ou às miçangas? E o que lhe replicam os pincéis, o gesso, o papel e os minerais? Escutemos a conversa
 

A presente mostra coletiva, Matéria Encantada não pretende esgotar as possibilidades de exploração da materialidade, mas fazer ressoar a cadeia de escolhas que criam visualidades absolutamente específicas Formada por uma coletânea de 16 artistas e 30 peças, busca se aqui expandir os vocabulários plásticos que se desdobram em obras, e tensionar como mesmo os suportes de maior tradição no arcabouço das artes respondem segundo sua manipulação
 

O ímpeto de criar, que perturba não apenas o artista, mas também os meios ressignificados pela poética, entra em estado de colaboração mútua Há aqui uma negociação entre a plasticidade do feltro ou a fluidez do pigmento e a crueza com que os elementos são assumidos Isto se revela na potência dos fios que escorrem sobre o espaço, na delicadeza minuciosa e repetitiva do bordado sobre tecido, nas ranhuras que compõem a imagem sobre gesso ou na composição fotográfica, registro de luz antes solto no mundo. A plasticidade não se encerra nos materiais dissidentes ela reside na maneira como o fazer é encantar e ser
encantado no processo

 

Giulia França
Curado

CATÁLOGO MATÉRIA ENCANTADA

Período expositivo:

01 de abril a 09 de maio de 2026.

​local: GALERIA MAMUTE

Rua Brigadeiro Galvão, 990São Paulo/SP

Aberto de segunda a sexta, das 11h às 17h

VIAGEM À AURORA DO MUNDO

A exposição individual "Viagem à Aurora do Mundo" marca a estreia institucional de Celaine Refosco no Museu de Arte de Santa Catarina (MASC), em Florianópolis. Curada por Fran Favero e com produção executiva da Galeria Mamute, a mostra reúne uma produção recente e inédita que expressa uma investigação poético-crítica sobre as interdependências entre as formas humanas e os processos naturais. 

 

Estruturada em três salas, a exposição apresenta trinta e duas pinturas sobre tela, nove desenhos em nanquim sobre papel e três instalações. Na sala de entrada, uma parede em tom terracota recebe “Estudos para Rios Voadores” (2024), e, em letras azuis vibrantes, estão o título, o texto curatorial e as informações essenciais. Em posição frontal, “O Que Ainda Sobra” (2021) se contrapõe à instalação “Olhar Através” (2022) — instalação de tule com corpos suspensos em pintura a óleo; a seu lado, nove desenhos em nanquim ampliam a presença dos corpos.

 

A sala central concentra a série “Rios Voadores — Forças” (2025): um mural de dez pinturas que se estende por nove metros, articulando gestos amplos e fluidos que transitam de tela a tela. A série traduz, em termos visuais, o fenômeno atmosférico dos “rios voadores” — massas de vapor originadas na Amazônia que atravessam a atmosfera e sustentam ecossistemas continentais.  Em diálogo com o mural, a obra “Latitude-16.7672, Longitude-39.1424” (2023) convoca memórias históricas e coloniais. Neste mesmo espaço, estão “Subaquáticos” (2026) e a instalação “Estados da Matéria” (2021), um recorte sobre tecido branco translúcido que convida o espectador a circundar formas recortadas e descobrir fragmentos de corpos entrelaçados.

 

A travessia para a última sala é mediada pela instalação “Paisagem” (2025), onde corpos deitados se superpõem em camadas translúcidas, produzindo efeitos de flutuação e coletividade. Nesse eixo, as pinturas “Chuvarada”, “Chuvisco” e “Cachoeira” (2023) estabelecem variações temáticas e sensoriais que ampliam as preocupações da artista com regimes de água e clima. Na sala final estão “Maré Baixa com Guarás”, “Lua Cheia sobre o Mangue”, “Queda d'Água e Riacho de Seixos”, “Gavirovas e Piavas” (2026) — um grande mural modular. Ali também são exibidas as obras “Sem Título” (2025) e “Paisagens Dúbias” (2025), que consolidam a mostra como uma unidade narrativa e singular.

 

A exposição dispõe de três acessos, demarcados por paredes pintadas em tom terracota e enunciados informativos que indicam as zonas expositivas. Ela incorpora, também, recursos educativos: perguntas e enunciados reflexivos afixados nas paredes próximas às obras, com a finalidade de estimular a problematização, o diálogo e a apropriação crítica dos conceitos pesquisados pela artista. Niura Borges Fevereiro de 2026 ​

TEXTO CURATORIAL, POR FRAN FAVERO

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CATÁLOGO VIAGEM À AURORA DO MUNDO

Período  expositivo:

04 de fevereiro a 31 de maio de 2026

Local: Museu de Arte de Santa Catarina (MASC), Centro Integrado de Cultura (CIC)
Av. Gov. Irineu Bornhausen, 5600 — Agronômica, Florianópolis - SC,

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